Segunda Carta de Concertação
AÇÃO PELO PROGRESSO
E INCLUSÃO SOCIAL
1. Os recentes acontecimentos,
que ocorreram nas principais regiões metropolitanas do país,
indicam que a violência chega a um novo patamar. A evidente politização
da criminalidade, em geral, e do narcotráfico, em particular, confirmam
o agravamento da situação de descoesão social. Estes fatos são originários,
por um lado, do avanço da cultura da violência em escala nacional
e mundial e, por outro, pelo agravamento da exclusão social,
do desemprego e pela ausência de uma política permanente de segurança
pública nas regiões mais problemáticas do país, É fundamental a
viabilização de alternativas integradas para o adequado enfretamento
da violência, um tema que preocupa toda a sociedade brasileira. O atual
momento nacional, mais do que em qualquer outra época, exige a não debilitação
do Estado, o fortalecimento de suas funções essenciais com o prestigiamento
e a elevação da auto-estima dos servidores públicos através de uma
política efetiva de valorização de suas atividades.
2. A situação atual
é fruto de um processo complexo, que percorreu a História do
Brasil. Nele se combinaram modernização e atraso. É uma situação
gerada por uma estrutura social que tem reproduzindo, permanentemente,
desigualdades, concentração de renda, lesões aos direitos individuais
e coletivos consagrados no Direito universal moderno e, por isso, gerando
oportunidades desiguais de progresso individual e coletivo.
3. Precisamos direcionar
as políticas públicas para a promoção da inclusão social, elevando
a mobilidade social, combatendo as desigualdades econômicas, territoriais,
de gênero, raça, idade e condições informais de trabalho. A exclusão
social deve ser enfrentada por meio de políticas econômicas que promovam
o crescimento e a geração de empregos, por políticas sociais que
universalizem o acesso à proteção social e por políticas culturais
emancipadoras.
4. É fundamental avançarmos
na democratização do conhecimento e da informação, através do amplo
acesso da população às telecomunicações e a comunicação social
eletrônica. A ampliação e diversificação de oportunidades de trabalho
e negócios depende da redução do analfabetismo funcional, do aumento
nos índices de escolaridade e da disseminação da cultura científica.
Alcançar a efetiva universalização dos serviços de telecomunicações,
dotando cada lar, escola, posto de saúde, delegacias, quartéis, centros
comunitários, com acesso à telefonia, à Internet, ao rádio e à
televisão, é uma tarefa que tem um elevado alcance social e importantes
desdobramentos econômicos. A inclusão digital é também afirmação
da cidadania.
5. A conquista de instituições
relativamente sólidas, balizadas pelo Estado Democrático de
Direito, a consolidação de uma base produtiva vigorosa, que
vêm resistindo às crises dramáticas dos últimos trinta anos, e a
emergência de uma cidadania ativa, participativa e crítica,
aliada a uma imprensa livre e altamente politizada, afirmam,
porém, que o Brasil tem futuro. Ele depende da consolidação política
de um novo Contrato Social, para que nos tornemos não somente
um país forte economicamente, mas também socialmente justo.
6. Queremos, nesta Segunda
Carta de Concertação, avançar na construção de um grande
acordo. Um novo pacto firmado entre forças políticas, representações
empresariais, sindicais e de vastos setores da sociedade civil.
Este avanço deve estar informado pelos debates que travamos,
sem a ilusão de que não temos divergências, mas a partir da
confiança de que é possível estabelecermos
marcos de consenso:
um espaço comum no interior do qual podemos disputar posições, em
busca de um sentido aceito por todos e que fundamentará
as nossas ações políticas.
7. Neste momento já
podemos elencar
os seguintes pontos de unidade estratégica,
na nossa concepção de contratualidade social renovada, os quais
inspiram o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
A – as reformas que
defendemos têm a finalidade de criar as condições para o crescimento
sustentado da economia, preservar a estabilidade fiscal do Estado, estimular
a formação de poupança, elevar a produtividade, possibilitar que
os recursos públicos sejam alocados de acordo com as verdadeiras prioridades
dos brasileiros e de permitir políticas efetivas para reduzir
as desigualdades e distribuir renda;
B – as políticas econômicas
devem ter como objeto recoesionar a sociedade, reduzir fortemente a
exclusão e o desemprego, e incentivar uma intensa cooperação e parceria
entre trabalhadores e empresários, finalidades que devem ser
prioridades do governo atual;
C – defendemos
um novo modelo de desenvolvimento, no qual seja enfatizado o papel do
sistema financeiro como agente da produção e do desenvolvimento;
D – o impulso às exportações
é fundamental para a retomada do crescimento e do emprego; e só pode
ser obtido se o Brasil exercitar plenamente a sua soberania, perante
as instituições multilaterais de comércio;
E – o Brasil precisa
de uma política industrial sustentada por um projeto científico-tecnológico
que fortaleça a produção para o consumo interno e, igualmente, induza
o surgimento de fortes empresas de expressão multinacional, garantindo
competividade aos produtos brasileiros no mercado externo. Essa política
deve também agregar o processo industrial à produção primária,
valorizando os produtos industrializados, a geração de empregos e
o surgimento de um forte mercado interno de massas.
F – igualmente o Brasil
precisa implementar em suas empresas públicas uma política de gestão
que vise a eficiência e a produtividade para que as fortaleçam e as
tornem instrumentos fundamentais de sustentabilidade e promoção do
desenvolvimento;
G – todas as ações
e políticas econômicas e sociais do governo devem ser norteadas pelo
respeito ao meio ambiente, pela proteção da floresta amazônica e
seu grande potencial - fundamental para a soberania nacional - exortando
outras Nações ao mesmo, com a finalidade de legar às futuras gerações
uma melhor qualidade de vida em nosso planeta.
H – é fundamental
a democratização da propriedade da terra, através de uma planejada
Reforma Agrária, e do fortalecimento da Agricultura Familiar, instrumentos
de geração de emprego e renda e de promoção do desenvolvimento
sustentável das comunidades rurais, sem prejuízo das outras formas
de produção agrícola.
I – recuperar a educação
pública é parte do esforço de construção do novo modelo de desenvolvimento,
por cumprir papel estratégico na preparação das novas gerações
para o exercício pleno da cidadania e para o trabalho.
8. Ao combater a exclusão
social a partir da promoção do desenvolvimento, com a geração de
empregos, o crescimento do mercado interno, o acesso ao conhecimento
e a distribuição de renda, Governo e sociedade estão dando passos
vigorosos na construção de soluções duradouras que possam enfrentar
a criminalidade e a violência e que sinalizem para o povo brasileiro
o começo de um novo momento de paz e prosperidade em nosso país.
Brasília, 10 de abril de 2003.