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Discurso - Posse

Exmo. Sr. Presidente da República

Vice Presidente

Senadores

Deputados

Gostaria de agradecer a confiança que V.Exa. depositou em meu nome e na minha equipe de trabalho, para o responder a este grande repto democrático, que está contido na formação deste Conselho. Esta é a maior honra que até agora acumulei na minha vida política.

Não posso deixar de referir em especial, aos Ministros José Dirceu, Luiz Dulci, Luiz Gushiken, Jacques Wagner, Ricardo Berzoini, Antônio Palocci e ao Senador Aloizio Mercadante, pelo apoio que deram ao meu trabalho e da minha equipe técnica e política. Agradeço também ao companheiro Gilberto Carvalho – Secretário Particular do Presidente e a companheira Clara Ant, Assessora da Presidência, pelas suas inestimáveis posturas de companheirismo e solidariedade, nesse curto espaço de tempo que tivemos para a implantação e m do Conselho e da Secretaria.

Passados quase quarenta e cinco dias da posse de Vossa Excelência, já é possível apontar conquistas políticas importantes, que iniciam o desenho de um perfil do nosso governo, a partir de um tríplice movimento representado por ações públicas do Presidente da República: as relações internacionais, deste período, que demonstram o intuito de construir uma inserção soberana na nova ordem mundial; o lançamento do Programa “Fome Zero”, como marco de um enlace político da sociedade formal com os excluídos (articulação fundamental para dar consistência e amplitude à base social do nosso governo); a tematização das reformas, como agenda prioritária para fazer justiça social e retirar o país da situação difícil que ele se encontra. É preciso coragem e decisão para recuperar a densidade da palavra Pátria. É o que V.Exa. vem fazendo como Presidente da República.

A instalação deste Conselho foi uma missão confiada por V.Exa. a esta Secretaria, para que a Presidência da República, de forma organizada, escutasse a sociedade, na formulação dos projetos de reforma que são substanciais para o futuro da Nação.

Num primeiro momento, até mesmo pela novidade institucional que ele representava, uma boa parte da opinião política do nosso país, considerou-o irrelevante, entendendo que um colegiado tão grande não teria condições políticas e aptidão técnica para trabalhar assuntos tão complexos, como as Reformas.

Ato contínuo, quando os nomes representativos da sociedade brasileira foram sendo divulgados como integrantes do Conselho - nomes de várias extrações políticas e sociais- ele passou a ser superestimado. Agora, a preocupação já era com a possibilidade deste colegiado tornar-se uma estrutura concorrente com Congresso Nacional. Uma preocupação, aliás, sadia e justa, porque se ele tivesse pretensões legislativas seria produto de um equívoco Constitucional e político imperdoável do atual governo.

Passado o tempo, avaliado com mais ponderação, tudo fica mais claro: o Conselho, que já é uma experiência mundial consolidada, inclusive hoje transnacional, como é o caso do Conselho Econômico Social da União Européia, Este Conselho, no nosso País cresce de importância, porque traz para o Governo, nos marcos institucionais do Governo, o contraditório democrático que já existe na sociedade.

Cresce porque este contraditório está vinculado à agenda do presidente e porque, além disso, como o Conselho tem a possibilidade de buscar a concertação política, ele pode introduzir, na nossa cultura democrática em gestação, uma pauta estratégica: a partir da pluralidade, do conflito regulado que tem como objetivo o consenso; a partir do reconhecimento da legitimidade de todos os interlocutores, este Conselho pode contribuir para a formatação de um novo projeto nacional, num momento em que a Humanidade oscila entre os valores absolutos do mercado e a fragilidade das democracias políticas, tingidas pela vergonha da fome e da exclusão, que Vossa Excelência escolheu acertadamente como desafio número um do seu governo.

O CDES incorpora, no seu funcionamento, as conquistas tecnológicas que têm sido pouco usadas para dar densidade à democracia. O Conselho estará virtualmente reunido vinte e quatro horas por dia, interagindo com a Secretaria (e os Conselheiros entre si) “via internet”. Tal fato, combinado com uma cronologia de reuniões dos grupos temáticos, proporcionará agilidade para oferecer – sempre que for requisitada por V.Exa. – a opinião ou opiniões existentes no Conselho sobre qualquer tema da agenda de reformas. Em 72 horas. A combinação ainda modesta, de democracia e tecnologia, é necessária para valorizar a cidadania moderna sufocada por um mundo de urgências e fragmentações.

As reuniões plenárias, com a presença física dos Conselheiros – deste órgão político de assessoramento presidencial – vão oferecer uma ou mais alternativas de decisão, para que V.Exa. possa aprimorar nosso programa com o sopro do debate que atravessa a sociedade civil.

Aos Conselheiros e Conselheiras aqui presentes, que prestam seus serviços gratuitamente à sociedade brasileira o meu fraterno abraço e o registro da nossa disposição coesa de construir um Brasil que seja exemplo de igualdade de oportunidades, justiça e paz.

Muito Obrigado.