Terceira Carta de Concertação
Fundamentos
para um Novo Contrato Social
- A sociedade precisa
discutir uma nova agenda para o desenvolvimento que tenha como fundamento
a promoção da cidadania e da emancipação social. O Brasil, que já
foi considerado do ponto de vista do crescimento econômico e do desenvolvimento
industrial um dos países mais prósperos do mundo, mas apresentou ao
longo das décadas de 80 e 90 um desempenho marcado por reduzidas taxas
de expansão do produto, instabilidade macroeconômica e agravamento
das mazelas sociais e ambientais.
- Nos anos 80, período
chamado de década perdida, a economia esteve sujeita a uma forte crise
de endividamento externo e instabilidade inflacionária. O crescimento
médio do PIB foi de pouco mais de 2% ao ano, e a renda per capita
cresceu apenas 0,2% ao ano. As elevadas taxas de juros reais e a inflação
reduziram a acumulação de capital produtivo e tiveram efeitos negativos
sobre a distribuição de renda. Do mesmo modo, a crise de financiamento
do setor público restringiu os investimentos estatais. O planejamento
de longo prazo e o desenvolvimento econômico foram relegados ao segundo
plano, dando lugar a uma política econômica preponderantemente voltada
para o combate à crescente inflação e para o ajuste no balanço de
pagamentos. E os principais efeitos desta dinâmica foram a intensificação
da concentração de renda, a elevação da dívida pública interna,
a retração na formação bruta de capital fixo e a elevação, em
diversos momentos, das taxas de juros, em prejuízo da acumulação
do setor produtivo e do próprio financiamento do setor público. Ao
mesmo tempo, os anos 80 foram significativos no processo de democratização
da sociedade brasileira e da sua cultura política, sendo impulsionado
por um forte movimento da sociedade, que passou a incorporar novos atores
políticos e sociais e a demandar a consolidação da democracia, base
fundamental para a construção de um novo contrato social.
- A década de 90
ganha destaque em qualquer análise da economia brasileira, pois foi
o período no qual se implantou uma agenda macroeconômica baseada na
liberalização e na desregulamentação, com a perspectiva de revigoramento
e modernização da economia brasileira, a partir da inserção do país
no processo de globalização. O resultado foi inexpressivo no que tange
ao desenvolvimento, com um crescimento médio do produto de aproximadamente
2,5% e o acréscimo anual da renda per capita em torno de 1%.
Esse período, adicionado aos anos iniciais do presente século, marcou
a determinação da política de desenvolvimento pela lógica do mercado,
em conformidade com o processo mundial hegemonicamente liberalizante,
e por conseqüência sem uma estratégia nacional de longo prazo. Essa
estratégia sequer levou em consideração, pela sua natureza subalterna
para com uma globalização hostil ao desenvolvimento sustentado, a
necessidade de se manter uma política permanente de modernização
e instrumentalização das Forças Armadas, de forma compatível ao
cumprimento da sua missão, vital para a soberania nacional, para a
efetiva garantia da institucionalidade democrática e para a segurança
das regiões de fronteira.
- A partir de 1994,
o Brasil passou pelo Plano Real, que teve um sentido estratégico nos
efeitos positivos produzidos a partir da redução drástica da inflação
e do conseqüente aumento relativo e momentâneo da renda dos setores
que não tinham como se proteger do processo inflacionário. Entretanto,
a agenda posterior marcou uma fase de retomada do processo de desestatização
e ausência de disciplina fiscal e de reformas, levou à continuidade
do endividamento público e da vulnerabilidade externa, sobretudo a
partir da valorização da taxa de câmbio e da elevação da taxa de
juros, tidas como elementos centrais para a manutenção de baixas taxas
de inflação. Nesse contexto, o Brasil passou a observar resultados
negativos na balança comercial e nas transações correntes, compensados
por um fluxo positivo de entrada de capitais, os quais vinham sendo
atraídos pelos movimentos de privatização ou de oportunidades de
arbitragem financeira. Esta política econômica não apresentava sustentabilidade,
e acabou sendo desmantelada a partir da forte desvalorização da moeda,
o que veio elevar ainda mais a dívida e deixar margem a uma série
de ataques especulativos e instabilidades sobre a economia nacional,
bem como resgatar o fantasma do retorno da inflação. Os mesmos elementos
que marcaram o Plano Real positivamente também foram os motivos da
sua crise.
- O advento da eleição
deste novo governo, fruto da mesma mobilização social que imprimiu
na Constituição Federal de 1988 a marca da construção da cidadania,
representou a esperança de construir, a partir de um novo contrato
social, um projeto nacional de desenvolvimento, com sentido estratégico
voltado para o crescimento econômico ambientalmente sustentável, a
inclusão social e uma inserção soberana e competitiva na ordem global.
O novo projeto nacional deve incorporar o compromisso do país com a
sustentabilidade ambiental. Este novo contrato social deve ser fundamentado
em uma visão de futuro do Brasil que expresse um consenso sobre o país
que se deseja ter no longo prazo. Nesta perspectiva, devem ser elaborados
os planos de sucessivos períodos governamentais, de modo a conceber
um projeto de país capaz de compartilhar as ações das diversas instâncias
de governo e de proporcionar uma gestão racional dos recursos públicos
em torno dos efetivos interesses da sociedade.
- A responsabilidade
de formular um novo projeto nacional veio acompanhada de um compromisso
de firmar uma renovada autoridade sobre a política econômica, sem
deflagrar um processo de ruptura e em consonância com os mercados e
com a estabilidade. Este comportamento em alguma medida contesta as
expectativas disseminadas a partir do momento de instabilidade ocorrido
ao longo do processo eleitoral. Como resultado, o mercado vem formando
novas expectativas, em regra opostas ao quadro negativo que se configurava.
- Nesse sentido, a
atual política econômica pode ser considerada como responsável, pois
em pouco tempo vem ganhando confiança e criando um clima mais favorável
junto aos mercados financeiros, o que se reflete inclusive na redução
do risco país. Ademais, já se verifica, apesar do risco de uma crise
recessiva, o arrefecimento da inflação, obtido por meio do mecanismo
de metas e garantido tanto pela desvalorização do dólar quanto pelo
controle mais rigoroso nos reajustes de tarifas. Existe uma perspectiva
inicial de redução da dívida relativamente ao produto, seja pela
própria queda do dólar, seja pelas medidas de ajuste e controle fiscal,
que somente pode ser mantida desde que ocorra uma gradativa redução
nas taxas de juros, o que deve iniciar o quanto antes. No momento atual
vivenciado pelo Brasil, devem ser imediatamente apresentados dados positivos
para alentar a esperança de uma progressiva superação dos condicionantes
que limitam o crescimento econômico e a melhoria dos indicadores sociais.
- Vale ressaltar que
não existe precedente de países que saíram de uma situação de extrema
exposição externa, fruto da adoção de uma agenda liberalizante de
desenvolvimento, para uma nova postura de defesa dos interesses nacionais
com uma inserção internacional soberana, solidária e estratégica.
Por conta disso, parece necessário que o governo crie um clima de confiança
e aprove as reformas estruturais requeridas para o equilíbrio fiscal
do país, com o objetivo de retomar o crescimento econômico com sentido
social, superando os limites objetivos determinados pelo endividamento
público, pelo financiamento do investimento e pelo cenário externo.
A estabilidade interna e externa da economia, a autoridade firmada do
governo e a capacidade de investimento do capital constituem elementos
fundamentais para o pretendido ambiente de desenvolvimento. O governo
e a sociedade devem assumir o risco e a ousadia de induzirem medidas
de crescimento que devolvam ao Brasil a esperança e a credibilidade
no novo contrato social.
- As propostas formuladas
pelo governo de reforma previdenciária e tributária envolveram um
processo inovador de elaboração, via ampla discussão no Conselho
de Desenvolvimento Econômico e Social e negociação com os governadores,
o que promoveu consensos significativos, apesar das divergências democraticamente
expressas. Dada a natureza simultaneamente polêmica e estratégica
das reformas, as propostas devem ter sua discussão ampliada e aprofundada
pela sociedade.
- Por outro lado,
os passos firmados em relação à confiança da autoridade econômica
e à formulação das propostas de reforma, que ainda devem ser aprovadas
pelo Congresso Nacional, precisam ter continuidade por meio de um direcionamento
tanto para a maior autonomia do governo em relação à política econômica,
permitindo um papel mais ativo aos seus formuladores, quanto para a
construção de uma estratégia nacional de longo prazo, fundada no
objetivo do desenvolvimento. A tarefa do Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social, marco político de proposição de um novo contrato
social, não chega a ser nem formular plano de governo, nem propor políticas
econômicas, mas oferecer os pontos de convergência de interesses que
permitam o acordo político para a sustentabilidade do crescimento,
do emprego e da inclusão.
- Relativamente à
definição de diretrizes de longo prazo, cumpre destacar o esforço
do governo para balizar a discussão do plano plurianual numa estratégia
de desenvolvimento, no princípio da capacidade de gestão pública
e num processo de consulta à sociedade, rompendo com a forma tradicional
de planejamento.
- No entanto, para
a definição de uma estratégia de desenvolvimento que conduza a efetivas
transformações para a sociedade brasileira, devem ser estabelecidos
os seus fundamentos políticos e econômicos, tendo como ponto de partida
a construção de uma nova contratualidade social.
- Deixando de lado
certos mitos e observando com atenção a história econômica recente,
podem ser formuladas algumas conclusões, conforme segue abaixo, sem
maiores pretensões de serem absolutas:
- Tanto o livre mercado
quanto o intervencionismo, quando implementados de modo radical, são
escolhas que não conseguem atender às expectativas de um processo
de desenvolvimento que amplie as capacidades individuais e a liberdade
humana, devendo portanto o Estado promover este equilíbrio, de forma
ao mesmo tempo presente e comprometida com o diálogo permanente com
os agentes econômicos e sociais.
- Da mesma forma,
uma política externa liberalizante e uma política isolacionista não
contribuem eficientemente para o desenvolvimento econômico. O caminho
mais adequado parece ser uma postura aberta ao relacionamento internacional,
preservando os interesses nacionais, na forma de políticas efetivas
de fortalecimento do mercado interno e de impulsionamento à criação
e à consolidação de grupos econômicos privados e empresas de interesse
público com capacidade de disputar globalmente.
- A noção de crescimento
econômico descolado da inclusão social deve ser considerada superada,
pois está mais do que comprovado que o crescimento econômico sustentado
deve estar acompanhado de políticas de inclusão social, de geração
de emprego e renda e desinformalização, de fortalecimento da pequena
e média empresa e de estímulo à cooperação em todos os níveis.
- Uma política nacional
promotora de desenvolvimento econômico e social precisa ter como ponto
de partida a questão territorial, levando em conta as diversidades
regionais e as desigualdades sociais, para fortalecer os sistemas produtivos
locais, de modo a minimizar os riscos e maximizar as potencialidades
para o capital empreendedor, e para promover a inclusão social a partir
de um desenvolvimento distribuído de forma equilibrada. Deste modo,
a Amazônia ganha destaque, por reunir imensa riqueza natural e biodiversidade
e recursos hídricos, devendo ser considerada área de interesse estratégico
específico e prioritário.
- Para que o Brasil
possa dar um salto em direção ao desenvolvimento, se faz necessária
a retomada do crescimento do país com a implantação prévia de reformas
estruturais, de modo que este processo represente efetivamente um novo
ciclo. Além da aprovação e da implementação das reformas estruturais,
outros elementos da política econômica parecem absolutamente relevantes
para a retomada do crescimento:
- Manutenção de
baixas taxas de inflação, a fim tanto de evitar a perda de poder aquisitivo
para os trabalhadores quanto de estimular um ambiente de estabilidade
para os investimentos.
- Redução ou estabilização
do estoque da dívida em relação ao produto interno bruto, de modo
a garantir essencialmente a estabilidade interna e externa e a possibilidade
de ampliação do financiamento ao investimento.
- Eliminação da
vulnerabilidade externa, que atualmente consiste no elemento principal
a ser combatido para garantir um estado de estabilidade duradoura e
um mecanismo viável de financiamento do desenvolvimento, através do
efetivo ingresso de recursos externos e do aumento das exportações,
pressupondo maior previsibilidade nas taxas cambiais.
- Parece correto
afirmar que a construção de um projeto nacional de desenvolvimento
depende fundamentalmente da ação do governo no sentido de direcionar
a economia para a produção, capaz de ampliar o emprego e a produtividade,
o consumo interno e as exportações, bem como de promover a substituição
de importações e de alavancar o crescimento na ampliação e na modernização
da base produtiva. Essa transição pressupõe a ampliação da capacidade
produtiva da economia, a partir de uma forte orientação da política
econômica para os setores de infraestrutura e bens de capital, no sentido
de garantir as bases do crescimento e de evitar problemas de oferta
que possam afetar a estabilidade dos preços.
- A ampliação dos
mercados, pressuposto para o desenvolvimento sustentado, passa necessariamente
pela implementação de medidas efetivas de inclusão social e de redução
das desigualdades, com a progressiva inserção dos grupos excluídos
no processo econômico e a promoção da eqüidade e melhoria da qualidade
dos sistemas de saúde, educação, segurança alimentar e previdência
social. Complementarmente, o acesso universalizado às políticas sociais
deve ser acompanhado da promoção de ações que contemplem a produção,
a diversificação e a difusão da cultura e da arte. Nesse contexto,
a educação como prioridade em todos os níveis deve ser considerada
como fator de transformação da sociedade rumo ao desenvolvimento.
- Definindo como
premissa – da estratégia de longo prazo – o compromisso de crescimento
com estabilidade, inclusão social e distribuição de renda, se torna
importante a definição de um padrão de financiamento para o desenvolvimento
do país, a partir da elevação da taxa de poupança e da recuperação
da capacidade de investimento do Estado.
- Segundo uma concepção
de que o sistema financeiro deve servir ao progresso econômico e social,
e também que representa papel importante para o financiamento da produção,
assume destaque a agenda de reformas institucionais, que incluem a reforma
do sistema financeiro e a revisão da legislação de falências, embora
estas transformações devam necessariamente estar associadas a um ambiente
econômico que estimule o investimento, pressupondo estabilidade e sobretudo
menores taxas de juros. Além disso, o mercado de capitais também deve
se voltar ao financiamento do processo produtivo, a partir de um novo
marco regulatório, que envolve a sua popularização, através da implantação
de mecanismos que permitam e incentivem o acesso do grande público
às bolsas de valores e de mercadorias.
- Um poderoso instrumento
para os objetivos do governo, em termos de política econômica, consiste
no crédito direcionado, aproveitando o perfil de atuação e o volume
de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
e da Caixa Econômica Federal. O primeiro deve impulsionar o financiamento
produtivo para os setores estratégicos do desenvolvimento, e o segundo
pode se dedicar ao financiamento nas áreas de crédito facilitado ao
consumidor, habitação, saneamento e infraestrutura, alavancando de
pronto a construção civil e promovendo a melhoria imediata das condições
de vida. O microcrédito, a assistência e o financiamento para micro
e pequenas empresas e cooperativas também se apresentam como importantes
mecanismos de ativação da economia e de promoção do emprego. O crédito
direcionado, entretanto, não deve ser confundido com recursos não
reembolsáveis, e portanto deve ser exigido um retorno econômico ou
social mínimo, para que não seja criada uma nova fonte de problemas
fiscais.
- Complementarmente,
assume papel importante a política de rendas, que se expressa no programa
de renda mínima previsto na reforma tributária e serve tanto como
mecanismo de defesa social, no sentido de proporcionar condições básicas
de sobrevivência às parcelas mais carentes da população, quanto
como meio de fomento ao consumo de massa, muito embora em menor escala.
O combate à exclusão social deve também incluir medidas que visem
à eliminação das barreiras culturais que perpetuam as desigualdades
regionais e sociais e as diferenças de raça e gênero.
- A necessidade de
financiar os investimentos de longo prazo do setor produtivo determina
por sua vez uma necessidade de se tornar mais presente e eficaz o mercado
de capitais brasileiro. O acesso de empresas nacionais ao mercado acionário
depende do aumento da liquidez das bolsas de valores, cujas condições
de desenvolvimento e competitividade estão atreladas tanto ao aparato
regulatório e tributário quanto à criação de mecanismos que incentivem
o acesso do grande público, de sorte a criar uma nova cultura de investimentos,
bem como aliar a capitalização das empresas nacionais e a distribuição
da riqueza, atingindo um contingente mais amplo da população e garantindo
menor grau de risco ao acionista.
- Com respeito ao
direcionamento de uma política industrial para setores competitivos,
deve ser concentrado o incentivo à produção nos segmentos chave para
o desenvolvimento tecnológico da economia, pois o planejamento estratégico
do país passa necessariamente pela redução do grau de dependência
do setor externo, pela preservação do meio ambiente, pela qualificação
da mão de obra interna e pela geração de conhecimento científico
autoctone aplicável na produção, proporcionando uma inserção
soberana da economia brasileira no contexto internacional.
- Ganha destaque
também como elemento fundamental para o desenvolvimento a agricultura,
assim como a pecuária, pois a ampliação da produção primária,
a modernização e a difusão das técnicas produtivas, a organização
da atividade rural e a regulação da qualidade de insumos e produtos
representam mecanismos de aumento da produtividade e das exportações,
desenvolvimento social e melhoramento das condições de vida no campo.
E a articulação destas políticas com um eficiente sistema de crédito,
com amparo à agricultura familiar e com uma política de reforma agrária
pode provocar uma efetiva transformação no aproveitamento da base
territorial e produtiva, financiando o desenvolvimento econômico e
promovendo a inclusão social. A política governamental voltada para
o setor primário deve estimular o sistema produtivo por meio de instrumentos
como pesquisa e assistência técnica, seguro agrícola, crédito rural
e preços mínimos, de forma aliada com um princípio de solidariedade,
visando à ampliação do mercado de trabalho e do consumo interno.
- Um dos eixos do
projeto nacional de desenvolvimento deve ser uma política cultural
capaz de promover e valorizar patrimônio cultural e a identidade nacional,
promovendo a cidadania e gerando alternativas econômicas de trabalho
e renda. Outro eixo deve ser a promoção de formas de desenvolvimento
sustentável que garantam a preservação do meio ambiente e a exploração
racional dos recursos naturais. Ambos eixos devem ser articulados com
a promoção do turismo, aproveitando e respeitando a riqueza cultural
e ambiental.
- Não é menos importante,
para um projeto estratégico de país, que entre os seus fundamentos
esteja o reconhecimento da necessidade de se ampliar o controle público
do Estado, passando inclusive pelo reforço institucional e pela valorização
do servidor público, através da multiplicação, da racionalização
e da integração de conselhos, fóruns e comissões de monitoramento,
fiscalização, indução e consulta, formados prioritariamente por
integrantes da sociedade civil. Tais instituições de caráter público
não estatal são instrumentos de aprofundamento e de inovação democrática
capazes de dissolver as barreiras burocráticas que separam o Estado
do cidadão comum. A atividade econômica não se pode realizar em um
vazio institucional, jurídico e político. Pelo contrário, precisa
de estabilidade e garantia da liberdade individual e da propriedade.
A insegurança, a corrupção, o enriquecimento ilícito, a especulação
e a ação de monopólios e oligopólios são fatores impeditivos do
desenvolvimento, sendo dever do Estado assegurar e promover o bem comum.
Considerando que o governo gestiona praticamente um terço do PIB, deve
haver um impacto positivo importante na economia do país, associado
a uma melhoria dos serviços públicos e dos indicadores de produtividade
do Estado.
- O ponto de partida
para um processo de acumulação interna capaz de dar sustentabilidade
ao complexo processo econômico e político de formação de uma nova
contratualidade, reside numa política monetária e numa política de
exportações consistentes com a necessidade de reduzir a vulnerabilidade
e retomar o crescimento, levando em conta que todos os países tomam
medidas de governo no sentido de proteger os interesses nacionais.
- A retomada do crescimento
da economia do país não é incompatível com o combate à inflação,
desde que seja conduzida por um conjunto de iniciativas no âmbito econômico
e político que proporcionem previsibilidade e confiança aos investidores.
Ao contrário, não existe qualquer precedente de que políticas preponderantemente
recessivas tenham propiciado desenvolvimento com crescimento sustentado
e inclusão social.
- O novo direcionamento
do país rumo ao desenvolvimento, de forma singular, através do diálogo,
da determinação e de um sentido estratégico da ação governamental,
parece ser o elemento central para a construção da agenda de um novo
projeto nacional. Todos reconhecem que o caminho a ser perseguido é
árduo e deve exigir de toda sociedade brasileira um grande esforço,
mas sabendo onde se quer chegar e visualizando um novo horizonte de
estabilidade e desenvolvimento sustentado, os atores sociais reunidos
podem vir a concretizar o sonho da transformação de um Brasil melhor
e mais justo.