Editorial - Jornal do Brasil - Reforma Substantiva

JORNAL DO BRASIL - 07/12/2004
EDITORIAL
Reforma Substantiva
A universidade brasileira evoluiu muito
desde a década de 60, quando os estudantes nas ruas enfrentavam o regime
de força da ditadura para clamar por mais vagas e pelo direito a uma
educação transformadora, que incentivasse o espírito crítico. Muita
coisa aconteceu nesse tempo. O ensino superior se expandiu em quantidade
e qualidade. Na graduação, dos pouco mais de 130 mil estudantes matriculados
no início dos anos 70, o país avançou para a proximidade dos 3 milhões
de matrículas em 2004. A pós-graduação e a pesquisa caminham na
trilha da ampla capacitação de recursos humanos e geração de tecnologia
para o desenvolvimento do país.
Apesar da expansão, a universidade continua
um gigantesco desafio para o governo e iniciativa privada. Enquanto
no Brasil apenas 10% da população entre 18 e 24 anos consegue matrícula
em instituições de ensino superior, o percentual chega a 35% na Argentina
e 60% nos Estados Unidos. Os números clamam pela urgência da reforma
que o governo acaba de apresentar aos reitores.
O Brasil não consegue estender à juventude
- e sobretudo aos mais necessitados - o ensino superior como direito
público subjetivo. O governo quer trabalhar neste sentido. O presidente
Lula tem se manifestado a favor da valorização efetiva da universidade
pública e do fim do processo de mercantilização do ensino.
A meta inicial é abrir 400 mil matrículas
novas em instituições federais, contratar 6 mil professores e criar
oito novas universidades, cinco campi avançados e três pólos universitários.
E apresentar à discussão o projeto de Lei Orgânica da Educação
Superior. É preciso, contudo, ir além e dar ao país uma reforma universitária
substantiva, que aproxime o aprendizado curricular das reais necessidades
do país. A empresa privada tem de ser chamada à parceria. Sobretudo,
o empresário precisa encarar os laboratórios e centros de pesquisa
da universidade como sementeira de talentos para a vida produtiva, e
não apenas canteiro de láureas acadêmicas.
Essa é a melhor expectativa que se pode
ter em torno da reforma que acaba de ser anunciada.