Crise Democrática e Democracia Direta

Tarso Genro
I
Quando Hegel
despedia-se da vida, em 1831, seus amigos que tentavam animá-lo afirmavam que o
mestre poderia morrer em paz, porque sua filosofia já se tornara dominante em
todas as universidades alemãs. Agonizante, o filósofo respondeu: "Nenhum
dos meus discípulos me compreendeu, menos um, e este me compreendeu mal” (1). O
fato biográfico pode servir de parábola para a história da democracia. O que
diriam Tocqueville, Rosseau, Montesquieu e Benjamin Constant, a respeito dos
atuais regimes democráticos, se ainda vivessem? Não seria, esta democracia que
sofremos, um grande mal-entendido que se afastou, pela paralisia, da dinâmica
da idéia dos seus patronos teóricos?
O contingente de
pessoas que vivem nos dias de hoje sob o regime democrático - democracia de
"representação", ou democracia nos seus "moldes clássicos"
- tem aumentado significativamente. Refiro-me aos regimes nos quais os governos
são produto da soberania popular, aferida em eleições periódicas com liberdade
política.
Este alargamento
espacial da democracia, porém, vem comprovando que, se é verdade que os
totalitarismos não resolvem de maneira duradoura as questões sociais mais
graves, “não há evidências de que a prosperidade e a justiça social (...) sejam
promovidas pela democracia como uma conseqüência direta” (2). Pobreza e
liberdades políticas podem ser compatibilizadas pelo controle social fundado em
aceitações culturais e na manipulação de informações. Ou mesmo no recurso à
força legalmente exercida em momentos especiais de instabilidade.
Muitos exemplos
poderiam ser apontados em todo o mundo, mas o Brasil e a Argentina podem ser
referidos como clássicos. Todo o "proveito" da democracia foi
apropriado, em ambos os países, por pequenos segmentos das elites locais -
altos estratos das classes médias, grupos ligados ao grande capital e ao
"rentismo" financeiro - com um brutal aumento da concentração de
renda. Esta situação não ocorreu sem apoio numa "reforma" das
instituições públicas e da cultura política democrática que, a seu tempo,
criara os seus próprios intelectuais progressistas. Para suportar a elitização
da democracia, não só uma boa parte da intelectualidade passou a repudiar as
"utopias" democráticas ou socialistas, mas também passou a aceitar
outras formas de autoritarismo como uma "lamentável" necessidade.
Este repúdio e esta compreensão ficam evidenciados na avaliação que fazem das
Medidas Provisórias, aqui no Brasil, instrumentos de decisão autoritária que
não raro sonegam direitos e concentram renda em nome do "ajuste
fiscal".
Mesmo com estas
deformações da moderna democracia representativa, o regime democrático, baseado
na pluralidade política e em poderes harmônicos, é a forma mais adequada para
viabilizar as relações contratuais de natureza política. São elas que dão
fundamento e previsibilidade às relações mercantis: a democracia como regime
capaz de oferecer margens de escolha para os sujeitos sociais, como sujeitos
mercantis, e opções mínimas de disputa entre os sujeitos políticos. São
relações contratuais que dão forma jurídica e estrutura institucional à
possibilidade democrática e afirmam, nas relações sociais concretas, ao mesmo
tempo libertação e dominação, ambas marcadas por relações reais de poder que a
esfera mercantil e o regime político proporcionam.
A necessidade desta
"contratualidade" - que segundo a teoria democrática hegemônica seria
rompida pelo "excesso" de liberdade sem mediações normativas - é que
fez Norberto Bobbio dizer que "nada ameaça mais matar a democracia que o
excesso de democracia" (3). A democracia, construída como um conjunto de
formas e ritos, pesos e contrapesos, violentada pela imprevisibilidade poderia,
conforme Bobbio, descambar para o totalitarismo.
Para Bobbio,
portanto - pelo menos para o Bobbio desta concepção - indeterminação e imprevisibilidade
constrangem o espaço democrático possível. Por isso, em nome da segurança
democrática, devemos refrear a radicalidade de qualquer impulso utópico, já que
este só pode fundar-se numa subjetividade que é pura "aventura" do
espírito. Assim - para esta posição - mesmo que os ritos e as formas mostrem-se
insuficientes para alterar aquelas relações reais de poder (que sempre
fortalecem os elementos de dominação que a democracia contém) é preciso ater-se
ao que pode ser racional e positivamente constituído: para que as ilusões não
levem a democracia à morte e conseqüentemente à vigência do totalitarismo.
Mas é preciso
interpelar a situação sem saída, prevista pelo grande positivista italiano, com
a seguinte interrogação: é possível projetar novas instituições republicanas e
outras formas de participação democrática heterodoxas, que reduzam fortemente
os aspectos manipulatórios da forma democrática atual, sem que viabilizemos a
hidra totalitária? Caso seja possível, como manter uma mínima estabilidade para
que as mudanças permitam um "salto" tão vigoroso como foi na
Inglaterra, à sua época, a instalação do governo do Parlamento?
Uma visão otimista
da democracia contrasta hoje com um certo senso comum, preventivamente
pessimista, de uma parte significativa da intelectualidade, que não cansa de
reiterar que a "democracia está em crise". É certo que o regime
democrático está em crise, pela forma histórico-concreta que a idéia
democrática adquiriu, mas a sentença "a democracia está em crise" não
é nada verdadeira quando ela pretende referir à crise da idéia democrática: não
há crise da vontade de liberdade política dos modernos nem da pretensão de
igualdade.
Adorno diz,
deduzindo de Hegel, que "só é frutífero o pensamento crítico que desata a
força armazenada em seu próprio objeto e a desata, ao mesmo tempo, a seu favor
(fazendo-o encontrar-se consigo mesmo) e contra si mesmo (ao recordar-lhe que
ele ainda não é ele mesmo)" (4). Aceita esta postura metodológica, podemos
conceber o regime democrático e as suas instituições como permanentemente
inacabados. Ou, ainda, que a democracia ainda não alcançou, sequer no tempo
presente, a sua melhor possibilidade, mesmo dentro das estruturas e fundamentos
constitucionais vigentes.
A hipótese é que a
democracia, ao encontrar-se consigo mesma, poderia conceber-se como ainda não
totalmente democrática. Ou, quem sabe, como portadora de um "déficit"
que poderia ser superado por outra engenharia política e institucional: uma engenharia
de radicalização democrática que combinasse certa instabilidade consensual com
um acordo majoritário sobre uma mínima indeterminação.
O que disse Gramsci
a respeito da crise da idéia de progresso serve para a "crise da
democracia": "a crise da idéia de progresso (...) não é uma crise da
idéia em si, mas uma crise dos portadores desta idéia, os quais se tornaram,
eles mesmos, uma ‘natureza’ que deve ser dominada" (5). A crise da
democracia liberal, no seu regime histórico atual, passa a ser confundida com a
crise da idéia democrática como ideologia moderna que buscou a
"desteologização" e a "desnaturalização" das relações
humanas e sociais. (Gramsci usa aqui a expressão "dominada", no
sentido histórico-ontológico, ou seja, natureza que deve sujeitar-se aos
desígnios humanos: deve ser "humanizada").
Se a idéia
democrática permanece vigorosa e inclusive cada vez mais possível de ser
radicalizada pelas conquistas atuais da ciência e da técnica (6), pode-se dizer
também que ela nunca esteve tão anarquicamente pujante. Tal energia anárquica,
aliás, sempre se desprende das novas pretensões de liberdade, quando elas ainda
não estão formuladas de maneira consistente.
Para a superação
deste vácuo, que separa a idéia da democracia da sua forma histórica, o enfrentamento
aos desafios de uma nova época - em termos do Estado - deve forjar novas
instituições. O ideal seria que elas correspondessem, de uma parte, à
atualização do vigor da idéia originária da democracia e, de outra, às novas
necessidades materiais e espirituais, pautadas pelo desenvolvimento da
produção, da cultura e da ciência.
II
Se para Bobbio o
regime democrático não tem outra finalidade que não a de auto-reproduzir-se, ou
seja, manter as "regras do jogo" democrático (porque essas regras são
positivamente a democracia), Weber vê na democracia uma espécie de contradição
permanente. Uma contradição que deverá ser mediada pelo líder: a contradição
entre o ideal de liberdade e a materialidade institucional racionalizada pela
necessidade e pela técnica. No líder - para Weber - repousará a direção efetiva
delegada pela eleição, sem qualquer interferência da soberania popular já
exercida (7).
Não é gratuito,
pois, que Weber pense a democracia como um conflito "no seio do qual a
tragédia gera o seu renascimento" (8). Para Weber, conseqüentemente, a
democracia só pode ser salva pela "ética da responsabilidade"
exercida pelo homem político com virtudes. Estas são "a paixão, o senso de
responsabilidade e o senso de proporção", as três "qualidades
determinantes" do líder (9). Weber, na verdade, afirmava o protagonismo do
líder e pouco valorizava as mudanças institucionais: "Mudanças técnicas na
forma de governo em si mesmas nem fazem uma nação competente, nem feliz,
tampouco valorosa. Somente conseguem tirar de seu caminho empecilhos mecânicos,
sendo, pois, pura e simplesmente meios para um fim" (10).
Se pensarmos na
evolução do sistema democrático para além do sentimento trágico que acaba em
autoritarismo, como em Weber, e para além da engenharia positiva de Bobbio, é
preciso libertar o sistema da idéia de "que a democracia não é mais do que
um mecanismo para eleger e autorizar governos" (11). É sobretudo uma
"qualidade que impregna toda a vida e todo o funcionamento de uma
comunidade nacional ou menor, ou, se prefere-se, como tipo de sociedade, todo
um conjunto de relações recíprocas entre a gente que constitui a nação ou a
unidade a que referimos" (12).
Se a democracia não
é apenas um sistema de um regime democrático determinado, pendente da tragédia,
ou apenas um sistema jurídico através do qual se objetiva o máximo de
legitimidade para os governantes, é possível pensar que as instituições e os
mecanismos atuais podem ser fortalecidos e provavelmente renovados. A idéia
democrática, então, poderia ser alvo de sucessivos projetos democráticos,
compatíveis com cada época em que ela é exercitada.
Cada mudança
poderia ser uma mudança destinada a buscar metas ideais: abrir espaços, na
dialética institucional e social, para o surgimento de novas instituições e contrapoderes.
Instituições que teriam a finalidade de permitir que a redução da capacidade
regulatória da máquina pública atual - por exemplo - fosse compensada
"pela intensificação da cidadania ativa". E contrapoderes, que
abririam espaços para o exercício de um "outro tipo de cidadania",
que poderia optar pela participação delegada ou pela participação direta nos
negócios públicos.
O ponto de partida
seria o convencimento majoritário de que é possível moldar novas instituições
modernas, destinadas a promover permanentemente a socialização da política, com
metas: a redução das desigualdades para afirmar um outro patamar de coesão
social, pois no limite da passividade e das desigualdades atuais, está a
possibilidade de que a sociedade seja ocupada e colonizada pelos
"fascismos societais" (13). A saber, a estabilização de um senso
comum aprisionado numa forma democrática (regime) que não mais absorve os
conflitos, mas criminaliza-os. Trata-se de um tipo de coerção que pode gerar a
violência indefinidamente e expurgar, pelo autoritarismo, as dissidências que
proponham novas alternativas.
Parece claro que
neste contexto de uma democracia "paralisada", todos tenderiam a
querer a liberdade só para si, não para os demais, situação que chancelaria a
destruição do projeto democrático moderno. O próprio Kelsen, que precedeu
Bobbio, já apanhara de forma magistral que "o sentido mais profundo do
princípio democrático se baseia em que o sujeito não reclama liberdade somente
para si, mas para os demais; o ‘eu’ quer também que o ‘tu’ seja livre, porque
vê nele seu igual. Desse modo, para que possa originar-se a noção de uma forma
social democrática, a idéia de igualdade há de agregar-se à de liberdade,
limitando-a" (14).
Levando a leitura
do pensamento de Kelsen à sua melhor possibilidade, a limitação da liberdade
como defesa da liberdade dos outros e não como contenção temerosa do
totalitarismo, temos um ponto de partida aberto para pensar a radicalização da
democracia. Pensá-la então diferentemente dos conceitos positivistas e
neo-positivistas, que abordam esta limitação como freio e não como instrumento
de mudanças. Com esta postura metodológica é possível pensar em novas formas
institucionais para o exercício das liberdades, para que as instituições ganhem
eficácia transformadora.
Rosa Luxemburgo não
esteve alheia a esta dialética na sua polêmica com Lenin: "a liberdade
reservada somente aos partidários do governo, somente aos membros do partido -
por numerosos que eles sejam - não é liberdade. A liberdade é sempre unicamente
liberdade para quem pensa de outro modo. Não é por fanatismo de ‘justiça’,
senão porque tudo o que possa haver de instrutivo, saudável e purificador na
liberdade política depende dela, e perde toda eficácia quando a ‘liberdade’
torna-se um privilégio" (15).
III
A crise da forma
histórica democrática atual corresponde a uma nova relação
"superestrutura-infraestrutura" dentro do mesmo modo de produção.
Assim como as relações políticas e a ação política poderiam forjar uma forma
histórica mais democrática (ou menos), no interior de uma mesma formação
social, o "bloco histórico" pode conter possibilidades de retrocesso
ou de radicalização democrática, com a ruptura dos seus limites atuais.
Neste novo
"bloco histórico" estão contidas as profundas transformações
culturais da "pós-modernidade". É um novo universo social que permite
o convívio do decisionismo de emergência, para "salvar" a economia
(leia-se bolsas de valores), com o funcionamento dos poderes constitucionais,
abrindo espaço ao que Boaventura de Souza Santos chamou de "misterioso
desaparecimento da tensão entre democracia e capitalismo no nosso final de
século" (16). Esta tensão positiva só pode ser revigorada pela política
radical, que experimenta novos processos e instituições democráticas, que
retornem à raiz da crise democrática atual.
A raiz é a perda
das "virtualidades distributivas" que a democracia sofreu, pela
afirmação da hegemonia neoliberal, que vem dissolvendo direitos sem muitas
mudanças institucionais: reduziu os avanços sociais que foram impulsionados no
âmbito do populismo modernizante e da social-democracia e acentuou a elitização
classista. Foram transformações políticas e culturais que sustentaram o
conjunto das reformas econômicas negativas do neoliberalismo, que impulsionaram
um individualismo consumista deliberadamente induzido.
O esforço da
máquina de poder e informação das grandes corporações privadas, articuladas com
os Estados, para transformar o cidadão político (demandante social), num
cidadão econômico (demandante de consumo), é palpável em cada momento da vida
cotidiana. Assim como a produção gera um certo tipo de consumo e de consumidor,
este também gera um certo tipo de produção para novas necessidades humanas
(Marx).
Esta cultura do
consumismo como elemento desestruturador da idéia democrática opera "por
dentro" do próprio regime democrático e enfraquece as instituições
democráticas tradicionais, como o Parlamento e o Judiciário. Também reduz a
capacidade de coesão da cultura democrática tradicional: o sentimento de
pertencimento a uma comunidade determinada, seja nacional ou local, é
substituído pelo sentimento de vinculação através do consumo e dirigido ao
prazer alienado.
Na "cultura de
massas", que é a cultura "superior" degradada, está o
"campo de treinamento onde aprendemos as regras fundamentais do jogo
contemporâneo, o jogo do consumo" (12). E o jogo do consumo é o jogo da
crescente privatização das emoções, da sensação de não integrar uma humanidade
constituída pela interdependência, da "falsa consciência" de não
integrar uma comunidade cujas necessidades gerais só podem ser respondidas por relações
organizadas e pelo reconhecimento recíproco dos grupos de interesse
conscientemente orientados.
Quanto mais conscientemente
orientada for a sociedade, mais interdependência e sentimento de pertencimento.
Logo, mais condições prévias para uma forte coesão social antifragmentária, que
crie condições para mudar uma sociedade complexa e desorientada, como é a
sociedade moderna hoje. Uma sociedade conscientemente orientada para a coesão e
para a solidariedade é a base da utopia democrática na crise de desorientação
da pós-modernidade.
IV
No plano da cultura
política, em especial quando o defensor do neoliberalismo é
"apertado" pelas demandas dos pobres e dos seus representantes, ele
apela para os argumentos que vinculam a idéia democrática à idéia do socialismo
"real". Trata-se de relativizá-la ou desgastá-la. Por que estabelecem
tal relação? Porque a idéia democrática originariamente contém não somente a
idéia da liberdade, mas igualmente a idéia de libertação das amarras da
opressão e das mutilações sociais, opressão e mutilações que a utopia
socialista sempre impugnou (18).
Como o socialismo
real fracassou, nada mais simples para combater a radicalização da democracia
do que vinculá-la à experiência do socialismo ("real"!), sempre que a
luta democrática apresentar-se através de demandas econômico-sociais vindas dos
"de baixo". O vínculo, por exemplo, do exercício de formas de
democracia direta com as experiências democráticas do Leste passou a ser comum
na crítica liberal e neoliberal contra a esquerda
Esta estratégia
apresenta-se também através de um outro elemento ideológico básico, que busca
atingir a capacidade de renovação da idéia e da experiência democrática: é a
criminalização ou deslegitimação dos movimentos sociais. Os movimentos são
acusados de não "compreenderem" a situação especial que vive a
humanidade, com a globalização econômica, que não mais permite os
"paternalismos estatais".
Trata-se de, ao mesmo
tempo em que se reforça a atmosfera de consumismo desenfreado para os setores
médios e elites, denunciar o caráter "arcaico",
"irracional", "corporativo" e "injusto" (19) das
demandas dos excluídos e dos trabalhadores, cujo consumo deve ser ferreamente regulado
pela renda reduzida e pelos baixos salários. Esta regulação permite, de uma
parte, subordinar pela superioridade cultural e técnica os "de baixo"
e, de outra, permitir o consumo faustoso e cada vez mais variado e complexo das
classes mais ricas.
Ao não se
conformarem com a redução do seu padrão de vida ou com a sua situação de
marginalização social, os "de baixo" deixam - segundo este ponto de
vista - de colaborar para a solução dos seus próprios problemas. Esta é a
ideologia impingida pelo neoliberalismo e através da qual opera a defesa do
pensamento único, como forma de contenção e controle social. Ajuda a construir
o conformismo fatalista que desnorteia e fragmenta a consciência das classes
trabalhadoras e também estimula o consumismo irracional, cada vez mais rápido e
fugaz de grupos privilegiados.
A supressão da
legalidade, quando não da constitucionalidade dos velhos direitos sociais,
torna-se, nesta cena surreal (através de uma gigantesca montagem política e
cultural) um procedimento ordinário apresentado como momento culminante dos
ideais contemporâneos. Aquilo que deveria ser novas respostas da elite
governante dentro do regime democrático, passa a ser impugnação dos velhos
direitos duramente conquistados dos que "não compreendem as dificuldades
do mundo atual". As medidas são sempre as mesmas, a saber, mais compressão
salarial, menos direitos sociais e uma autonomia muito mais próxima da intermitência
e da meia-jornada do que de oportunidades novas de trabalho.
V
A dialética
democrática "emancipação-regulação" pode ser confinada em três
grandes movimentos históricos, que nos ajudam a precisar a sua fase atual. Esta
é uma fase que evidencia os limites da forma histórica democrática no contexto
da globalização tutelada pelo capital financeiro: "No primeiro período, a
emancipação foi sacrificada às exigências regulatórias dos Estados e confinada
quase só a movimentos anti-sistémicos. No segundo período, a regulação estatal
nos países centrais tentou integrar esses projectos emancipatórios e anti-sistémicos,
desde que fossem compatíveis com a produção e a reprodução social capitalista;
longe de se tratar de uma verdadeira síntese da regulação e emancipação,
constituiu uma nítida subordinação dos projectos emancipatórios aos projectos
regulatórios. No terceiro período, esta falsa síntese evoluiu para uma mútua
desintegração da regulação e da emancipação; longe de beneficiar a
desintegração da regulação fordista, a emancipação, entretanto transformada no
duplo da regulação, não pôde senão desintegrar-se ela própria" (20).
O último discurso
de Robespierre perante a Convenção, dois dias antes de ser executado
(10.Termidor.1794) é uma peça dramática e brilhante. Radical e ao mesmo tempo
perplexa e confusa sobre os destinos da Revolução. Não é difícil perceber
através da retórica de Robespierre, em estado germinal, os impasses da
dialética emancipação-regulação e da futura crise do sistema democrático
contemporâneo.
Robespierre
coloca-se em defesa da nação, da República, da Revolução. Mas fala para quem?
Fala para o povo em nome do povo. Falando em nome do povo, quer que a lei penal
tenha "algo de vago, pois, sendo a dissimulação e a hipocrisia as
características atuais dos conspiradores, é preciso que a justiça possa
apreendê-los sob todas as formas" (21). Robespierre quer uma imprecisão,
próxima da desregulamentação do delito, para neutralizar os inimigos da nação e
do Estado.
Mais adiante,
Robespierre, que supunha encarnar no seu discurso o próprio Estado, corteja
diretamente o povo: "Povo, tu que és temido, bajulado, desprezado, tu,
soberano reconhecido, sempre tratado como escravo, lembra-te: por toda a parte
onde a justiça não reina, são as paixões dos magistrados que reinam, e de que o
povo trocou de grilhões, e não de destinos"(22). Robespierre refere-se
aqui ao mesmo magistrado que, segundo ele, deveria lidar com leis penais
"vagas". Mas como sair deste borgiano labirinto? Ora, com leis penais
vagas qualquer magistrado pode emprestar uma força decisória maior à
"paixão" e menor à razão: a razão transformada em legalidade
imprecisa adquire a sua carga regulatória especialmente no arbítrio.
É através de uma
abordagem racional do conflito entre emancipação e regulação - através do
controle da legalidade e do exercício da violência legitimada - que os grupos e
classes dominantes sempre desenvolveram suas políticas de coesão social mínima
e de apropriação privada do Estado. Por esta abordagem racional é que também
concederam avanços sociais importantes para as classes trabalhadoras.
Na questão dos limites
da liberdade é que está a síntese da ambigüidade estrutural que percorre o
Estado Democrático, da democracia como ideologia e regime político, projeto de
ordem fundador da emancipação. Qual é a ambigüidade? O projeto democrático que
não quer precisar os seus limites é, ao mesmo tempo, possibilidade de
radicalização democrática e de totalitarismo.
As crescentes
regulações benéficas na sociedade capitalista, que foram concedidas ao povo
real, na experiência social-democrata, formaram o "Estado de Bem-Estar
(que) materializa, na prática, de forma substantiva, a democracia
formal"(23). Embora tenha sido uma experiência de curta duração, livre do
assédio das elites que retomavam a ampliação dos seus privilégios de classe, o
projeto social-democrata afirmou direitos. Humanizou o cotidiano das classes
trabalhadoras e também alargou politicamente a democracia.
Podemos perceber,
por isso mesmo, que para buscar alguma legitimação no mundo do trabalho, a
reação neoliberal à social-democracia também não pôde prescindir de uma certa
"iconização" do povo, (que) "consiste em abandonar o povo a si
mesmo"(24). Como? Agora endeusado-o não mais como ser livre e dotado de
direitos sociais, mas como consumidor livre, congelada a democracia política
nos seus limites puramente formais.
No particular, o
esquerdismo voluntarista que sacraliza o movimento e rejeita formas
institucionais de protagonismo social e controle público, tem a mesma matriz
ideológica do neoliberalismo. Tal esquerdismo hipostasia o povo "de forma
pseudo-sacral"(25), para instituí-lo como padroeiro de uma distante
revolução que o torna politicamente inofensivo no presente. (Não gratuitamente
Hobsbawn disse que o neoliberalismo é uma espécie de anarquismo da classe média
baixa).
Assim, o contribuinte-consumidor
alheio à política, ou o cidadão-político, sem formas de exercício concreto de
poder, e ambos ineptos para exercer o poder-violência (democraticamente
constituído), trocam a sua condição de cidadão pela de consumidor (no
neoliberalismo), e de cidadão pela de espectador do futuro (no esquerdismo
voluntarista). Contribuinte-consumidor e cidadão-político, como povo ou classe,
não exercem assim nenhuma influência direta sobre as decisões públicas: o
cidadão consumidor e o espectador da revolução futura não fazem a história no
cotidiano. É uma mesma visão metafísica de democracia, que gera duas fontes de
alienação política: aquela que subsume a cidadania no exercício do consumo e
aquela que se nega a produzir conquistas dentro da ordem.
VI
O controle midiático
merece especial consideração na crítica da democracia como regime, pois ele
constrange os limites da cultura democrática atual e opera na debilitação da
representação, fato que ocorre especialmente através da mídia mais massiva, a
televisão. Não se trata de considerá-la um "quarto poder", mas do
fato que a "televização do público indica que todos os poderes hoje estão
formalizados pela televisão, isto é, que se exercem em virtude de uma
formalização que lhes presta e proporciona o meio de comunicação" (26).
A filtragem dos
fatos políticos, que é elaborada pela mídia, também foi responsável pelo
enfraquecimento da democracia representativa nos seus moldes clássicos. Os
representantes que se chocam com os interesses que ela reproduz, em cada
conjuntura, correm o risco do permanente isolamento e da perda da capacidade de
diálogo público ampliado. Considerando que este diálogo é fundamental, não só
nos processos eleitorais mas também para os embates políticos de fundo, o papel
da mídia não pode ser subestimado.
O reconhecimento da
pluralidade e da conflitividade de opiniões e a abertura de canais para a sua
expressão, bem como a formação de núcleos de produção e reprodução de uma
opinião pública livre, são fundamentais para a afirmação-superação da atual forma
democrática. E ela só poderá ser obtida através de mecanismos de participação
direta dos indivíduos isolados ou agrupados.
O exercício da
cidadania não está destinado "a priori" a extinguir as desigualdades,
mas pode mudar os seus padrões e abrir outras perspectivas para o futuro. Isso
poderá ocorrer desde que se consiga sucessivos consensos majoritários sobre as desigualdades
máximas, aceitáveis numa sociedade democrática e civilizada (27), e sobre as igualdades
mínimas, necessárias para criar uma coesão social não-manipulada.
A exacerbação de
formas de democracia direta que combinem estabilidade e previsibilidade -
regras do jogo firmes e contratos claros sobre os limites da utopia (28) - com
a legitimação permanente dos conflitos e a aceitação de um certo grau de
indeterminação sobre o futuro (ou seja, considerar os consensos como
necessariamente provisórios), passa a ser o estatuto mais avançado da cidadania
moderna. Trata-se da ousadia de "pensar que a história do homem sobre a
Terra dispõe afinal das condições objetivas, materiais e intelectuais, para
superar o endeusamento do dinheiro e dos objetos técnicos e enfrentar o começo
de uma nova trajetória" (29).
A tarefa atual de
radicalização da democracia, inclusive para não perdê-la para o autoritarismo e
para combater o "fascismo societal" definitivamente destrutivo do
humanismo moderno, passa por "construir uma relação de forças que permita
desembocar em decisões.
Esta é a condição do estabelecimento de uma verdadeira
democracia que (...) cubra o conjunto do espaço público, incluídos seus
aspectos econômicos. Isto supõe uma cultura política e uma aprendizagem que nem
sempre os movimentos sociais empreenderam, frente a uma verdadeira
desvalorização da política" (30). Seu aprendizado deverá ser processualmente
constituído, composto por sucessivas experiências de governo e poder.
A outra
possibilidade é a não-saída, que nos está sendo impingida pela ideologia
neoliberal: pragmatismo perante o capital financeiro e seu imenso poder tutelar
e regulatório; aceitação da miséria humana como uma determinação
"natural" de uma fase de progresso; acolhimento da idéia democrática
como uma relação quase lúdica, sem metas que não sejam as de manter as suas
regras operantes com um mínimo de legitimidade; despolitização e
espetacularização da política pela ditadura da economia e dessubjetivação da
cidadania, para que operem "à todo vapor" as determinações puramente
mercantis, como se elas constituíssem "per se" um novo estágio
civilizatório (31).
Para combater as formas
diretas de participação e decisão, os liberais e os neoliberais abrigam-se em
dois argumentos básicos: o crescimento da população depois das experiências da
Antigüidade e a urgência e complexidade sócio-política para a tomada de
decisões econômicas. Ambos os pontos de partida são verdadeiros e a forma mais
adequada de fortalecê-los é a sua negação pura e simples. Ocorre que ninguém
pode defender com seriedade, nos dias de hoje, qualquer espécie de Comuna de
Paris rediviva. O que é possível defender racionalmente, exercitando-a primeiro
a níveis locais e regionais, é a combinação da representação com a democracia
direta.
Não é desconhecido
que "a democracia direta caracteriza-se por elevados custos internos"
(mas) "tais custos diminuem progressivamente à medida que a própria
participação desenvolve e incorpora qualidades ético-cognitivas que melhoram as
decisões e produzem uma menor necessidade de tomar outras" (32). As
experiências participativas com o "retorno" das decisões que se incorporam
como conquistas da vida cotidiana, o aprimoramento das técnicas decisórias, a
agregação das novas tecnologias informacionais e a formação de novas elites
dirigentes (de extração popular direta) vão, paulatinamente, impondo-se como um
aprendizado de longo curso. É um outro estágio do que ocorreu no longo período
de formação das atuais elites profissionais que nos governam.
Deverá ser um longo
aprendizado e um desenvolvimento que permita "uma combinação de estruturas
em que as instituições da vida cotidiana sejam organizadas de maneira
participativa, os meios de coordenação econômica e política o mais estreita e
transparentemente associados a essas instituições, tanto quanto possível, e em
que a estrutura legal seja decidida por um organismo o mais representativo possível"
(33). Trata-se de abrir a possibilidade de um futuro indeterminado, que combine
a previsibilidade da representação política, com a indeterminação originária da
democracia direta. É um futuro progressivamente constituído pela evolução e por
saltos, com formas experimentais e regulações combinantes.
O vínculo atual
entre soberania do mercado e democracia liberal é um vínculo forçado,
"ideologizado" por uma racionalização comprometida com uma visão de
mundo que optou pelos valores do mercado em oposição aos valores básicos do
humanismo moderno. Em qualquer período histórico, grupos e classes sociais,
blocos de classes, comunidades com certo destino comum, tendem a constituir um
discurso determinado. É um discurso balizado pelos seus interesses ou ideais, que
empresta uma certa organização e legitimação a sua cultura e aos vínculos
sociais que a constituíram. Rapidamente as grandes disputas políticas formam
blocos que, embora heterogêneos, têm laços mínimos de coesão social e política.
Esta tendência às
vezes torna-se uma elaboração superior, coerente e com uma certa potência de
hegemonia, a partir de condições sociais específicas e econômicas favoráveis.
Às vezes a tendência esfuma-se, desaparece sem adquirir importância teórica ou
sistematização filosófica. Em outras oportunidades, como ocorre atualmente, o
que é mera tendência torna-se operatividade e hegemonia, capaz de soldar
relações sociais, propor políticas, legitimar comportamentos e também
contribuir para a governabilidade. É o que ocorre hoje com a superioridade de
meios e de coerção que dispõe o neoliberalismo em escala planetária.
Lembro Hobsbawm:
"a soberania do mercado não é complemento da democracia liberal - é uma
alternativa a ela. De fato, é uma alternativa a todo tipo de política, na medida
em que nega a necessidade de serem tomadas decisões políticas, que são
precisamente as decisões a respeito de interesses comuns ou de grupos,
contrapostas à soma de opções, racionais ou não, de indivíduos que se norteiam
por suas preferências particulares. A participação no mercado substitui a
participação na política. O consumidor toma o lugar do cidadão"(34).
A salvação da democracia é mais democracia, não menos democracia. Precisamente
para que os limites à autonomia e à liberdade, que devem existir em qualquer
ordem, funcionem agora como limites às demandas do cidadão-economicista. E como
reforços do protagonismo do cidadão-político, que quer ser sujeito do seu
futuro e ajudar a construir o futuro do outro(35).
A moldura
institucional em que poderá ocorrer este avanço deverá reduzir os
"mecanismos de dominação no sistema de formação da vontade
política"(Claus Offe), através de um outro sitema jurídico-político, que
permita uma articulação da Constituição Programática com as instituições de
controle social fora do Estado. Estas instituições inovadoras deverão ser
impulsionadas pela participação direta dos cidadãos agrupados (Conselhos,
Comissões de Controle, Grupos de delegação direta em assembléias)ou isolados
(através dos plebiscitos, referendos, consultas), possibilitando a máxima
consensualidade contra a ditadura do mercado, responsável pelo "grande
medo comum contra o futuro incerto"(36).
1 CARPEAUX, Otto Maria. "Literatura
alemã". São Paulo: Nova Alexandria, 1994, p. 142.
2
OFFE, Claus. "A atual transição da história e algumas opções básicas para
as instituições da sociedade". In: "Sociedade e Estado em
Transformação". Luiz Carlos Bresser Pereira, Jorge Wilheim, Lourdes Sola
(organizadores). São Paulo: Editora UNESP; Brasília: ENAP, 1999, p. 123.
3
BOBBIO, Norberto. "O futuro da democracia – uma defesa das regras do
jogo". Rio de Janeiro: Paz e Terra, 4ª edição, p. 27.
4 ADORNO, Theodor W. "Tres estudios sobre Hegel".
Madrid: Taurus Ediciones, 3ª
edição, 1981, p. 109.
5
GRAMSCI, Antonio. "Concepção dialética da História". Rio de Janeiro:
Editora Civilização Brasileira, 1978, p. 45.
6 SANTOS, Milton. "Por uma outra
globalização – do pensamento único à consciência universal". Rio de
Janeiro: Editora Record, 2000, p. 174: "A grande mutação tecnológica é
dada com a emergência das técnicas da informação, as quais - ao contrário das
técnicas das máquinas - são constitucionalmente divisíveis, flexíveis e dóceis,
adaptáveis a todos os meios e culturas, ainda que seu uso perverso atual seja
subordinado aos interesses dos grandes capitais. Mas, quando sua utilização for
democratizada, essas técnicas doces estarão ao serviço do homem".
7 DIGGINS, John
Patrick. "Max Weber – A
política e o espírito da tragédia". Rio de Janeiro: Editora Record, 1999,
p. 119. Veja-se o seguinte diálogo que Weber travou com Ludendorff:
"
Ludendorff: Qual é, então, a sua idéia de democracia?
Weber: Em uma democracia, as pessoas escolhem um líder em quem confiam.
Então, o homem escolhido diz: ‘Agora calem a boca e me obedeçam. O povo e o
partido não são mais livres para interferir nas decisões do líder’.
Ludendorff: Eu poderia gostar de tal ‘democracia’!
Weber: Mais tarde o povo poderá fazer um julgamento. Se o líder
cometeu erros — fora com ele!"
8 DIGGINS, John
Patrick. "Max Weber – A
política e o espírito da tragédia". Rio de Janeiro: Editora Record, 1999,
p. 113.
9 ARGÜELLO, Katie. "O Ícaro da
Modernidade – Direito e Política em Max Weber". São Paulo: Editora Acadêmica,
1977, p. 51.
10 WEBER, Max. "Parlamento e governo na
Alemanha reordenada". Petrópolis: Editora Vozes, 1993, p. 27.
11 MACPHERSON, C.B. "La democracia liberal y su epoca".
Madrid: Alianza Editorial, 1997, p. 15.
12 Idem, p. 113.
13 SANTOS, Boaventura de Sousa.
"Reinventar a Democracia". Lisboa: Fundação Mário Soares / Gradivas
Publicações, Cadernos democráticos, setembro 1998, p. 63.
14 KELSEN, Hans. "Esencia y valor de la democracia". México: Editora Nacional, 1974, p. 138.
15
LUXEMBURG, Rosa. "Critica de la revolucion
rusa". Montevideo: 1972,
p. 105.
16 SANTOS, Boaventura de Sousa.
"Reinventar a Democracia". Lisboa: Fundação Mário Soares / Gradivas
Publicações, Cadernos democráticos, setembro 1998, p. 62.
17 CEVASCO, Maria Elisa. Prefácio ao livro
"A cultura do dinheiro – ensaios sobre a globalização", de Fredric
Jameson. Petrópolis: Editora Vozes, 2001, p. 9).
18 ARRUDA JÚNIOR, Edmundo Lima de.
"Direito e Século XXI – conflito e ordem na onda neoliberal
pós-moderna". Rio de Janeiro: Luam editora, 1997, p. 63.
19 GÓMEZ, José
María. "Política e
democracia em tempos de globalização". Petrópolis: Editora Vozes; Buenos
Aires: Clacso; Rio de Janeiro: LPP – Laboratório de Políticas Públicas, 2000,
p. 156.
20 SANTOS, Boaventura de Souza. "A
crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência". São
Paulo: Cortez Editora, 2000, p. 164.
21 ROBESPIERRE,
Maximilien de. "Discursos e relatórios na Convenção". Rio de Janeiro:
EDUERJ: Contraponto, 1999, p. 195.
22 Idem, p. 202.
23 ALTVATER, Elmar. "Os desafios da
globalização e da crise ecológica para o discurso da democracia e dos direitos
humanos". In: "A crise dos paradigmas em ciências sociais e os
desafios para o século XXI". Rio de Janeiro: Editora Contraponto, 1999, p.
138.
24 MULLER, Friedrich. "Quem é o povo – a
questão fundamental da democracia". São Paulo: Max Limonad, 1998, p. 22.
25 Idem, p. 67.
26 PARGA, Manuel Jiménez de. "Ideas
para una democracia del siglo XXI". In: "Democracia y Sociedad – vías
de renovación del Sistema Democrático". Madrid: Editorial Complutense,
1996, p. 17.
27 ZOLO, Danilo. "La ciudadanía en una era poscomunista".
In: Revista La Política,
nº 3. Barcelona: Paidós
Editorial, outubro 1997, p. 119.
28 SERRA,
Francisco. "Derecho y Política". Madrid: 1998, p. 143: "Ao término desta
‘historia’ do conceito de utopia vemos que se distanciou muito daquele sentido
que teve na origem e apesar disso ainda tem validade na atualidade, na medida
em que segue pondo em relevo as insuficiências do presente e o anseio de que
talvez a História tenha um destino humano, que ainda seja possível a
emancipação em algum momento da nossa evolução futura."
29 SANTOS, Milton. "Por uma outra
globalização – do pensamento único à consciência universal". Rio de
Janeiro: Editora Record, 2000, p. 173.
30 HOUTART, François. "Sociedad Civil y Espacios Públicos".
In: "Porto Alegre: Outro mundo es posible".
Barcelona: Manuel Monereo y Miguel Riera (editores)
El Viejo Topo, 2001, p. 115
31 Idem, p. 125.
32 COLOMBO,
Ariel H. "Desobediencia civil y democracia directa". Madrid: Trama
Editorial y Prometeo Libros, 1998, p. 115.
33 WAINWRIGHT, Hilary. "Uma resposta ao
neoliberalismo – argumentos para uma nova esquerda". Rio de Janeiro: Jorge
Zahar Editor, 1998, p. 141.
34 HOBSBAWM, Eric. "A falência da
democracia". In: Caderno Mais!, jornal Folha de São Paulo, domingo, 9/9/01
, p. 6.
35 COMPARATO. Fábio Konder. "A afirmação
histórica dos direitos humanos". São Paulo: Ed. Saraiva, 1999, p. 413:
"No plano da organização política estatal, a proteção da pessoa humana
impõe o revigoramento da vida democrática, pela participação direta do povo nas
grandes decisões governamentais, como previsto no art. XXI da Declaração
Universal dos Direitos Humanos de 1948. A organização do regime representativo
constituiu, sem dúvida, notável avanço político em relação aos regimes
absolutistas do passado. Hoje, contudo, as instituições da democracia
representativa encobrem com freqüência, sobretudo em países subdesenvolvidos, a
efetiva perpetuação da oligarquia política e econômica".
36 GÓMEZ, José
María. "Política e
democracia em tempos de globalização". Petrópolis: Editora Vozes / Clacso
LPP, 2000, p. 155.