Discurso do Presidente da República ...
Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula Da Silva, na Reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social
Palácio do Planalto
Quero
cumprimentar cada membro do Conselho. Quero dizer para vocês que o
sucesso desse Conselho, o sucesso do trabalho do Conselho, é um pouco
o sucesso do desafio que nós todos assumimos, que temos o compromisso
de realizar.
Eu
não tenho podido conversar com todos, mas tenho conversado com algumas
pessoas, e encontro muito entusiasmo na participação delas no Conselho.
Vocês
sabem que, antes da instalação do Conselho, como é de hábito no
Brasil, se tentou criar uma celeuma sobre o seu papel. Afinal de contas,
esse Conselho vai fazer o quê e vai substituir quem?
Bem,
o Conselho está dando uma demonstração de que não quer substituir
o papel de nenhuma instituição. Não é esse o nosso objetivo, e eu
tenho certeza de que não é esse o objetivo de nenhum membro do Conselho.
O que nós estamos tentando fazer é criar mecanismos para que a sociedade
brasileira, através das mais diferentes representações, através
das suas entidades, possa dizer ao Governo e ao país que rumos gostaria
que as coisas tomassem daqui para a frente.
Possivelmente,
na História recente do Brasil – eu não vou mencionar a História
mais antiga, porque Juscelino Kubitschek conseguiu governar com um Conselho,
mas era uma coisa muito mais ministerial – nunca um Conselho foi levado
com tanta seriedade pelo Governo como este Conselho está sendo levado.
Eu
sei das preocupações e da dedicação de vocês. Sei que, às vezes,
alguns companheiros e companheiras querem discutir até assuntos que
não estão na pauta do Conselho. E haverá sempre a oportunidade de
discutir outro assunto.
O
que nós estamos tentando fazer, neste momento, é apenas garantir as
duas prioridades sem as quais tudo o mais que a gente pensar, para a
frente, ficará mais difícil: a reforma tributária e a reforma previdenciária.
É
muito engraçado, pois quando eu comecei a minha vida sindical, em 1969,
já havia setores da sociedade que falavam nessas reformas. E trinta
e poucos anos se passaram e elas não aconteceram. E elas vão acontecer
agora, numa demonstração de que as reformas só acontecerão no país
se houver a determinação política do Governo para que elas aconteçam.
Como
elas vão sair? Vai depender, primeiro, da capacidade que nós tivermos
de produzir as propostas. Vai depender, obviamente, da última instância
de votação, que é o nosso Congresso Nacional. Mas, de qualquer forma,
o que é importante é que, se nós aprovarmos, aqui, o que entendermos
ser consenso entre nós, será muito mais fácil trabalhar o consenso
com o Congresso Nacional, a partir de um acerto, aqui.
Pelo
que sei, o companheiro Tarso Genro tem tratado o Conselho como se fosse
a “menina dos olhos” dele, ou seja, tem tentado criar todas as condições
possíveis para que ninguém fique sem debater e para que ninguém reclame
que não está participando.
A
estrutura de poder do Governo Federal tem muitos Conselhos. Muitos.
Aliás, eu nunca vi um país com tantos Conselhos como nós tínhamos,
embora a maioria, penso eu, nunca tenha se reunido ou, se se reuniu,
se reuniu muito pouco e não deliberava sobre nada que pudesse ser encaminhado
ao Congresso Nacional ou ao próprio Presidente da República.
Nós
temos consciência de que a reforma entrará no Congresso Nacional antes
do previsto. Nós estávamos imaginando fazer um grande debate na sociedade
no primeiro semestre e, no segundo, encaminhar para votação no Congresso.
Na minha opinião, a proposta está tão avançada
que a gente vai conseguir encaminhá-la ainda no primeiro semestre.
E, obviamente, temos que respeitar todo o ritual que existe dentro do
Congresso Nacional e nas Comissões, para que o Congresso Nacional possa
votar, da forma mais democrática possível, uma proposta que retrate
as necessidades do país.
E é importante vocês trabalharem com a seguinte
clareza: a reforma tributária não é só do interesse do Presidente
da República ou do Governo. A reforma tributária tem urgência
porque é de interesse da sociedade brasileira. Não é um assunto
pessoal. A reforma tributária sairá mais ou menos perfeita,
a depender da capacidade de discussão e de pressão que a própria
sociedade tenha que fazer daqui para a frente.
Hoje, eu me reuni com os companheiros sindicalistas
e disse que eles nunca foram chamados, durante toda a sua vida sindical,
para debater todos os assuntos que precisam ser debatidos no Brasil,
como vão ser chamados daqui para a frente.
Agora, o que é importante neste Conselho?
Tenho informações das reuniões temáticas que já foram feitas e,
para mim, foram mais do que um sucesso. E havia gente que não
acreditava que isso fosse possível. Havia gente que imaginava que o
Gerdal não podia estar na mesma sala que o Jorginho, do Sindicato dos
Metalúrgicos de Osasco. Havia gente que imaginava que o Gabriel
não poderia estar na mesma sala que o Vacari, do Sindicato dos bancários,
ou que o Paulinho não poderia estar na mesma sala em que estivesse
o Marinho, e assim por diante.
O que vocês estão provando? Vocês estão
provando que nenhum ser humano precisa abrir mão das suas convicções
para exercitar a democracia. A democracia, no fundo, no fundo,
se transforma em desejo quando todos nós estamos imbuídos de boa vontade
para fazer alguma coisa, não pensando em nós, mas pensando nos outros
milhões que não estão participando aqui, junto conosco.
E vocês sabem que o resultado disso é um ensinamento
histórico ao nosso país. Muita gente não acreditava, quando eu dizia
durante a campanha, que vocês nunca tinham sido chamados a participar
de decisões como iriam ser chamados nesses quatro anos. Muita
gente achava que isso era um blefe, que isso não era verdade: “Onde
já se viu, esse Lula, que nós conhecemos como radical, vai chamar
a gente para debater os assuntos que, até então, só debatiam os especialistas
ou os que podiam chegar próximo ao Presidente da República”, diziam.
Isso é apenas o início. É importante
lembrar que essa é a segunda reunião do Conselho. A primeira
foi feita no dia 13 de fevereiro. E temos ainda quatro anos pela
frente. E vocês sabem que esses dois assuntos que estamos discutindo
são apenas dois assuntos que têm prioridade. Mas, daqui a pouco,
vamos ser convidados a discutir que modelo de desenvolvimento vamos
querer para o Brasil. Daqui a pouco, vocês vão ser desafiados a pensar
o Brasil daqui a 20 anos, daqui a 30 anos, pensar o Brasil que cada
um de nós quer deixar para os nossos filhos. Daqui a pouco, vamos
discutir se determinados setores da economia estão aumentando os preços
justamente ou não, porque, daqui a pouco, este Conselho poderá discutir
qualquer coisa. Vocês começaram muito acanhados, muita gente
sem se conhecer. Daqui a pouco, vocês perceberão e vão dizer:
“Encontramos um espaço onde a gente pode se queixar, onde alguém
pode se queixar dos juros, onde a indústria pode se queixar do aço,
onde o aço pode se queixar da matéria- prima”, e vai por aí afora.
Este Conselho, penso eu, a depender do aprimoramento
que vocês tiverem, poderá se transformar num fórum de grande envergadura
para as decisões do Governo. E por que eu digo “para as decisões
do Governo”? Porque quero que vocês saibam que eu vou levar
a sério cada assunto que vocês discutirem aqui. Vou levar a sério
cada coisa que vocês pensarem aqui. Não quero que, daqui a alguns
anos, alguém diga para mim: “Puxa vida, participei do Conselho mas
o Presidente não encaminhou nada.” Não. Pretendo levar muito a sério
porque sei o quanto custou criar este Conselho. Sei como foi difícil
montá-lo, sei o quanto somos agradecidos a muitos de vocês por terem
aceito participar de reuniões, em momentos em que, possivelmente, não
fosse recomendado participar de determinadas reuniões.
E o que vocês estão fazendo aqui, na verdade,
é ensinando este país a exercitar a sua democracia. As decisões
de um Governo não têm que ser, necessariamente, emanadas da máquina
burocrática do Governo. Não que ela não tenha o seu peso e
o seu valor. Mas ela será muito mais inteligente se aprender
a ouvir a sociedade e tirar os ensinamentos para que as coisas possam
fluir com mais facilidade.
Da mesma forma que as pessoas pensavam que o
Conselho não ia dar certo, não ia funcionar, elas não acreditavam
que fosse possível fazer uma reunião com os Governadores como nós
fizemos. Uma reunião com 27 Governadores, sendo apenas três do meu
Partido. Portanto, conseguimos estabelecer um consenso na reunião
dos Governadores que, acredito, nunca tenha havido na história republicana
deste país sem que ninguém pressionasse ninguém, mas se discutissem
os problemas de cada ente da Federação e se tentasse, conjuntamente,
assumir a responsabilidade e o compromisso de assumir o ônus e ganhar
o bônus por essas coisas que queremos fazer no Brasil.
Sei que há muitos assuntos para serem discutidos.
Vocês sabem que a situação econômica mundial não é das mais promissoras,
pelo menos neste momento que estamos vivendo. Mas vocês sabem
também que nós conseguimos um certo milagre diante dos descrentes.
Havia quem dissesse que o Brasil poderia virar uma Argentina – isso
nos primeiros meses de Governo. E vocês estão percebendo que
nós estamos remando num rumo muito mais promissor do que muita gente
otimista acreditava neste país. Ou seja, a credibilidade é uma coisa
que você conquista. E você não conquista a credibilidade com
palavras. Você conquista a credibilidade com gestos.
E é por isso que temos pensado cada gesto.
É por isso que não temos trabalhado no afogadilho daqueles que querem
nos apressar a tomar posição. Nós vamos trabalhar de acordo
com um calendário estabelecido por nós. Cada coisa vai acontecer
no seu tempo. E todas elas certamente vão acontecer. Vocês
estão vendo o dólar caindo, caindo devagarzinho. Mas é bom
que caia devagarzinho, porque quanto mais devagar ele cair mais sólida
será a queda dele. O risco-Brasil vocês estão vendo cair.
Não tem importância que caia um ponto só ou dois por dia. Nós
temos paciência. Vamos esperar.
Quem não está lembrado, aqui, do que diziam
de nós, sobre os créditos externos para nossas exportações, que
tinham desaparecido em agosto do ano passado? Estão voltando.
E não estão voltando por conta de discurso, não. Estão voltando
em função de conversa séria, olho no olho, com a intenção de mostrar
a importância deste país, porque, se o Governo não mostrar confiança
no país que dirige, quem vai confiar no país?
E acho que vários companheiros, mas sobretudo
o Palocci, têm tido um comportamento exemplar. Vocês, que acompanham
a política de fora, sabem que não foi fácil o trabalho que este Governo
fez, sob a coordenação do companheiro José Dirceu, para articular
essa maioria no Congresso Nacional, para eleger o Presidente da Câmara,
para eleger o Presidente do Senado. Situações que pareciam impossíveis
em janeiro, coisas que qualquer analista político mais pessimista escreveria
como sendo impossível.
E vocês estão lembrando do que a gente dizia
na campanha: “Vamos começar fazendo apenas o necessário. Depois,
a gente vai fazer o possível e, quando menos se esperar, nós estaremos
realizando o impossível”. E o impossível vai acontecer não muito
tarde. A economia brasileira vai voltar a crescer, nós vamos
voltar a gerar empregos e vamos voltar a distribuir renda neste país,
que é um dos objetivos centrais do nosso Governo. Foi isso que
nós nos propusemos.
Vocês sabem que combater a corrupção não
é uma coisa fácil. Se fosse fácil, outros já teriam combatido.
É um trabalho muito mais de inteligência do que de bravata.
Não adianta ir à televisão dizer que vai prender corruptos.
É melhor descobri-los primeiro, de forma muito cautelosa para não
acusar inocentes, de forma muito cautelosa para não condenar ninguém
a priori. As pessoas devem ser condenadas quando for devidamente
comprovada a denúncia de corrupção. Isso nós vamos fazer no
seu devido tempo. Cada coisa vai ter o seu tempo e nós vamos
trabalhar com a tranqüilidade com que estamos trabalhando até agora.
Não é possível que a gente não tenha maior
participação no mercado externo. E tudo isso tem que ser procurado,
trabalhado. Ninguém virá aqui, no Brasil, oferecer nada para
nós. Engana-se aquele que acha que alguém vai comprar do Brasil
porque os olhos do Presidente são azuis. Não vai. Ou nós vamos lá
fora, vender o que produzimos, defender a nossa indústria, a nossa
agricultura; defender a nossa tecnologia, ou ninguém vai defender.
Eu pelo menos tenho dito aos meus companheiros:
não é possível que um Presidente de um país do tamanho do Brasil
viaje para o exterior e chegue lá e comece a chorar: Quando a gente
viaja, tem é que “vender” otimismo com relação ao país, tem
que “vender” as coisas boas que nós temos. Este país não
é só o país do carnaval ou o país do futebol ou o país da criança
de rua. Este país é o país da indústria, é o país da matéria-prima,
é o país do comércio, é o país do turismo. E é isso que
temos que passar para fora, se quisermos ganhar esse espaço.
Eu queria terminar dizendo a vocês que os resultados
obtidos até agora têm me deixado muito otimista. Eu confesso
a vocês que todo dia acordo com a certeza de que, cada dia, daqui para
a frente, vai ser muito melhor. Temos alguns ajustes para fazer.
E eles serão feitos com muita tranqüilidade, com muito cuidado.
Não vamos apressar absolutamente nada. Mas vamos fazer as exportações
brasileiras voltarem a crescer. O Brasil precisa disso.
E vocês sabem o quanto isso é importante. Mas estamos com dois
programas que consideramos muito importantes, que é o programa de geração
de empregos e o programa de combate à fome.
Nós
precisamos ter em conta que a geração de empregos é a oportunidade
que temos de não permitir que a nossa juventude enverede pelo caminho
errado. E essa responsabilidade não é só de algum Ministro, individualmente,
não é só do Presidente da República, não é só de uma Secretaria
Especial. Essa responsabilidade é nossa.
Eu
acho que cada um pode fazer um pouco mais do que está fazendo. Porque,
se não plantarmos agora, certamente não iremos colher um Brasil melhor,
mais produtivo, com melhor educação e melhor saúde.
Eu
acho que cada empresário pode dar a sua contribuição. Acho que vocês
muito têm contribuído. Eu tenho tido exemplos extraordinários. Nesses
poucos meses têm acontecido coisas fantásticas, envolvendo pessoas
que eu, particularmente, nem esperava. Mas, de repente, sou procurado
porque a pessoa está anunciando uma posição que vai nos ajudar, ora
arrumando mil empregos, ora uma quantidade enorme de produtos, ora um
compromisso com alguma coisa.
Eu
vou lhes contar duas coisas muito especiais. Uma, porque a Viviane Senna
está aqui, ela me contou e eu acho que posso contar aqui, no microfone.
A Pirelli vai, junto com o Governo Federal e com o Governo Estadual,
assumir o compromisso de alfabetizar o Estado do Acre em três anos.
E eu recebo um telefonema da Viviane Senna me contando uma coisa muito
interessante, da qual talvez alguns de vocês até estejam participando.
Vários empresários – acho que por volta de cem empresários –
assumiram o compromisso de recuperar um milhão de crianças, no Estado
de Pernambuco, que tinham excesso de repetência, talvez por problemas
de desnutrição. Eu sei, Viviane, que lá havia um problema de falta
de vitamina A, que prejudicava muito as crianças.
No
SESI, o Armando fez um acordo com o Ministério da Educação, para
alfabetizar dois milhões de brasileiros e brasileiras. Eu fico imaginando
se cada um assumir um compromisso.
Estou
sabendo que a FEBRABAN está discutindo a questão das cisternas no
Nordeste brasileiro. Nós vamos tentar levar isso muito a sério. E
cada companheiro que tiver condições de ajudar, não se faça de rogado,
pois, nós aceitaremos humildemente as ajudas, porque o Brasil é da
minha responsabilidade mas é da responsabilidade de vocês também.
Então, todos nós precisamos ter isso em mente, para a gente sonhar
que nós vamos recuperar o Brasil. Terminada essa fase, nós ainda vamos
ter uma definição da proposta da Previdência, depois, certamente,
o grupo temático será chamado para discutir a questão da Previdência
Social.
A
minha idéia é que, no dia em que eu for entregar essa proposta ao
Congresso Nacional, a gente possa reunir os 27 Governadores de Estado,
e o Conselho, para sairmos do Palácio, atravessarmos a rua e lá, no
Congresso Nacional, entregarmos a Proposta ao Presidente da Câmara
e ao Presidente do Senado. Para todo mundo saber que não é uma proposta
do Presidente da República, não é a proposta do Coordenador do Conselho,
nem do Ministro da Fazenda ou da Casa Civil. Não. É uma proposta da
sociedade brasileira.
Quando
a gente passar essa imagem para a sociedade, quem sabe, a gente ganhe
tempo na aprovação dessa matéria, porque há outros temas importantes
para discutir. Desde muito tempo, tenho discutido com os companheiros
do IEDI um modelo de desenvolvimento para o país. Acho que a
proposta tem coisas muito interessantes. Alguns de vocês já
discutiram isso. E quem sabe, talvez seja, dependendo da vontade
do Conselho, um assunto a ser discutido no Conselho, porque todos vocês
estão conscientes de que o desenvolvimento é a condição fundamental
para que este país dê o seu salto de qualidade. E a gente não precisará
mais ficar assistindo ao telejornal, todo dia, às 2 horas da manhã,
para saber se o dólar caiu, se o dólar aumentou, se a Bolsa caiu,
se a Bolsa subiu, como é que está a compra dos títulos do Brasil
lá fora.
Ou
seja, quando este país voltar a crescer, quando a gente voltar a gerar
empregos e gerar renda, aí, possivelmente, a gente deixará de olhar
para o computador.
Esses
dias, um companheiro dizia para mim: “Presidente, fale para o Palloci
conversar mais com a gente e não olhar tanto para o computador”.
Aí eu falei: “Mas porque ele olha para o computador?” “Porque
toda hora ele quer saber se o risco-Brasil caiu, se o dólar caiu, se
os títulos do Brasil aumentaram.” E quando o José Dirceu chegou
à minha sala, eu estava do mesmo jeito, no computador, dando uma olhada.
E isso,obviamente, não pode continuar sendo a razão para onde a gente
dirige os nossos olhos. Temos outras coisas para olhar, além
de ficar no computador.
Quero
parabenizar cada um de vocês e dizer que o trabalho que vocês estão
fazendo é gratificante. A disposição de vocês é por demais gratificante.
E espero que vocês estejam, neste momento, ensinando as autoridades
brasileiras, desde o Presidente ao mais humilde servidor público, e
a toda a sociedade brasileira, que é possível o exercício da democracia,
mesmo na diversidade.
Vocês
vejam que coisa maravilhosa: eu nunca perguntei a que partido vocês
são filiados, nunca perguntei em que candidato vocês votaram, nunca
perguntei em quem vocês vão votar nas próximas eleições.
O que quero não é o cidadão eleitor. O que eu quero não é o cidadão
político. O que eu quero é o cidadão-cidadão pensando neste
país. Se vocês fizerem corretamente a tarefa de apresentar as
melhores reformas para o Brasil, quando chegar o dia das eleições,
vocês poderão gritar “Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós”
e votar em quem vocês quiserem. Nunca pedimos aqui para vocês
não criticarem o Governo. Por quê? Porque essa relação tem
que ser sincera, essa relação tem que ser honesta. Essa relação
não pode ser uma meia relação, em que vocês vêm aqui para cumprir
o ritual porque assumiram um compromisso, ou onde nós discutimos com
vocês porque queremos mostrar para a sociedade que há democracia.
Se for assim, não dará certo.
Então,
quero que vocês saibam que, da parte do Governo, haverá toda a seriedade
possível na nossa relação com vocês. E tenho certeza de que
a recíproca será verdadeira. E, com esse gesto, estaremos consolidando
definitivamente a democracia no Brasil e dizendo para os incrédulos
que parem de ser pessimistas, porque neste país tem muita gente otimista.
Eu sou um deles. Continuo acreditando piamente, meu caro Benjamim,
como nunca acreditei, mesmo quando o Palocci teve que anunciar, através
do Guido Mantega, um corte de 14 bilhões. Mesmo quando foi anunciado
o corte, e nós sabíamos que ele era necessário, eu, em qualquer momento,
perdi o otimismo de dizer: este país vai dar certo. Até porque o que
está em julgamento não é o mandato desse ou daquele, mas um novo
momento histórico que este país está atravessando. Acho que a gente
não pode jogar isso fora.
Muito
obrigado. E espero poder agradecer a vocês muito mais, quando
tivermos produzido as propostas que temos que produzir. E agradeço
ao companheiro Tarso, que tem sido uma figura muito competente na articulação
deste Conselho. Ele tem trazido todos os Ministros aqui, a toda
hora, para debater. Acho que nunca ninguém foi ao Congresso,
em quatro anos, como o Palocci já foi, em três meses – quatro vezes.
E
o lema nosso é o seguinte: não há tema que não deva ser discutido.
Qualquer tema, obviamente que possa ser discutido publicamente – o
que não puder a gente não vai discutir – o Governo estará disposto
a discutir. Nada – mas nada mesmo – nos fará fugir de um
debate e discutir os assuntos do Brasil. E, com a ajuda de vocês, certamente,
o sucesso será muito maior.
Muito
obrigado, gente. Que Deus ilumine vocês e ajude efetivamente
o nosso país.